Uma e quinze da manhã. E eu continuava à iludir minha mente com algo que não iria acontecer ou iria… sei lá. Eu preciso parar de ser assim, parar de criar tantas expectativas, me iludir demais, é. Talvez fosse só uma questão de tempo para que eu crescesse… ou não. Mas pelo menos naquela noite eu precisava não ter expectativas… como se eu ao menos conseguisse. É, eu não consegui… mas o que eu queria acabou acontecendo. Nós discutimos e estávamos à uma semana praticamente sem se falar. Nossa história era algo confuso e intenso ao mesmo tempo. Saltei da cama quando vi a tela do meu celular iluminar o escuro do quarto. Fui olhar… era ele. Finalmente ele engoliu um pouco do orgulho alastrado no peito. Era uma sms dele (minhas expectativas se realizaram, cheguei a cogitar a idéia de desistir de ser menos esperançosa) perguntando se eu estava acordada… respondi que sim e ele respondeu de novo dizendo que queria me encontrar na cafeteria no dia seguinte, às oito da noite.
Lá estava eu, na cafeteria. Eu me sentia como uma “noiva-cadáver” por conta da maquiagem borrada e tudo isso culpa daquela maldita chuva e eu claro, sem guarda-chuva. Minha roupa estava úmida e eu estava com a cara mais cansada possível. Que droga. A porta da cafeteria se abriu enquanto eu estava sentada lendo um livro o aguardando… era ele.
Ele se sentou à mesa aonde eu estava e olhou no fundo dos meus olhos… nos primeiros cinco minutos nada foi dito. Absolutamente nada. Tudo que se ouvia era o barulho das pessoas conversando e comprando café.
— Então, boa noite. — Pelo seu tom de voz presumi que aquela seria a pior noite da minha vida.
— Boa noite. — disse enquanto eu fechava o meu livro… aqueles enormes olhos azuis estavam mais brilhantes que o natural.
— Você quer ir à outro lugar? Sugiro um bar que tem aqui perto, podemos ir à pé. Provavelmente lá está menos lotado que aqui.
— Tudo bem.
“ Nós estávamos andados de mãos dadas, apesar de estarmos brigados. Eu o amo. Por mais que ele fosse completamente o oposto de mim eu o queria… de qualquer jeito. Talvez essa fosse a parte mais difícil… é, era a parte mais difícil.” Fiquei com isso na minha cabeça até chegarmos ao bar, aonde sentamos e pedimos cerveja. Eu não gosto muito de beber mas às vezes um pouco de álcool não mata ninguém.
— Posso te pedir uma coisa?
— Porquê não?
— Me perdoa.
— Pelo quê?
— Por não ser perfeito.
Naquele mesmo instante meus olhos se encheram de lágrimas.
— Me perdoa também.
— Pelo o quê?
—Por não ser perfeito também.
Esse definitivamente foi o diálogo mais clichê da história dos diálogos clichês, mas um pouco de coisas clichês não matam ninguém… eu acho bom, às vezes.
De qualquer forma, fomos para o prédio aonde eu morava… ficamos na piscina, de mãos dadas com os pés na água. Estava iluminado com algumas luzes, era romântico e eu gostava disso. Aquela não iria ser a pior noite da minha vida, como eu imaginei. Rimos demais na beira daquela piscina, mal eu sabia do que estava prestes à acontecer.
Ele me empurrou pra dentro da piscina e depois me puxou pra fora. Ele sempre vai ser o maior babaca de todos. Sempre.
—Então… você está bem?
— Engula suas palavras, seu panaca.
Eu “tentava” secar minhas roupas enquanto ele tirava algo do bolso. Vai ver era uma bomba para explodir meu corpo. Quando eu olhei era uma pequena caixinha e eu ainda cogitava a idéia de aquilo ser uma bomba. Ele abriu.
— Casa comigo? scientis-t
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